História
Você sabe quem foi Clemente Pastore?
Clemente Pastore nasceu no bairro da Lapa, em São Paulo (SP), no dia 9 de dezembro de 1901. Era filho de José Pastore e Domingas Gaeta Pastore, ambos italianos. Veio a formar-se em Contabilidade, na Escola de Comércio Olavo Bilac, na Lapa, onde mais tarde lecionou a mesma matéria.
Como professor, Pastore ajudou a fundar e a desenvolver inúmeras escolas na Lapa. Dentre elas, destacam-se o Colégio Campos Sales e a Escola Técnica de Comércio Olavo Bilac. Além disso, lecionou aulas particulares a inúmeras personalidades lapeanas, que, tendo passado a idade escolar, procuravam nele um apoio para uma futura aprendizagem.
As atividades culturais sempre o fascinaram. Foi presidente e fundador de várias associações literárias, de teatro e música, especialmente do canto lírico. Dentre elas, distinguem-se a Associação da Escola da Lapa e a Associação dos Amigos do Livro. Ambas tiveram um papel relevante na formação dos jovens lapeanos que, no início, praticavam a sua arte como amadores e, aos poucos, foram se tornando profissionais do jornalismo, do teatro e da música.
Grande parte de sua vida foi dedicada à arte de escrever. A Lapa de antigamente cultivava a literatura, a poesia e a crônica.
Inúmeros foram os que se dedicavam a descrever os tipos lapeanos, os problemas do bairro, e, a cantar, em prosa e verso, os amores da época. Clemente Pastore trabalhava em 1920 na Tipografia Progresso da Lapa, onde se imprimia os periódicos A Cigarra e O Trocista. Foi ali que iniciou a carreira de escritor, publicando alguns pensamentos e, logo em seguida, pequenas crônicas dedicadas a pessoas do bairro.
Em 1922, Clemente Pastore passou a publicar em outra revista do bairro chamada Juventus, que virou depois Esperança, na qual escreveu, pela primeira vez, uma crônica humorística: O Quiproquó do Simplício”. Em 1921, havia na Lapa O Ideal, cujos redatores eram o irmão de Clemente, Fortunato Pastore, e Antonio Bustamante. Neste jornal, praticava-se intensamente a polêmica política e literária. Nele, Pastore publicou seu primeiro soneto decassílabo, Ano Novo, e várias outras poesias.
Em janeiro de 1924, fundou-se no bairro um novo jornal quinzenal, A Pátria Brasil, dedicado à literatura e ao humorismo. Nele, foram publicadas inúmeras poesias e crônicas de Pastore. Na mesma época, Pastore enviava suas crônicas para outros jornais, como O Pinheirense (jornal recém-fundado no bairro de Pinheiros), São Paulo dos Agudos e O Fanfulla. Escreveu depois em O Comércio da Lapa, surgido em 1928 e na famosa A Voz da Lapa, jornal tinha em sua coluna “A Crônica da Quinzena”, considerado o cantinho de Clemente Pastore. Ele escreveu também em O Mirante, de julho de 1943 a maio de 1949, e que correspondia ao boletim quinzenal da Sociedade Amigos do Livro da Lapa.
De 1955 a 1964, Pastore publicou O Orientador, boletim informativo e semanal, sobre as coisas da Lapa. Esta publicação abrigou mais de 50 crônicas suas. Em 12 de outubro de 1971, Clemente Pastore recebeu do Governador Laudo Natel o diploma de Jornalista Emérito, como o mais velho jornalista da Lapa, com carreira ininterrupta. Mais recentemente, Pastore passou a colaborar como cronista da revista Laqui, informativo lapeano de publicação mensal. Ali, ele continuou publicando seus trabalhos até falecer, em 26 de abril de 1974, em São Paulo.
Pastore foi um dos melhores conhecedores da Lapa e um dos seus mais ativos cronistas. Na verdade, a história da Lapa poderá ser reconstruída, um dia, por suas crônicas. Nelas, estão descritos os fatos, os lugares e os personagens dos eventos que marcaram o bairro.